(Beth Moon - Ancient Trees: Portraits Of Time, Abbeville Press, 2014)


“Eu pertenço à fecundidade
e crescerei enquanto crescem as vidas:
sou jovem com a juventude da água,
sou lento com a lentidão do tempo,
sou puro com a pureza do ar,
escuro com o vinho
da noite
e só estarei imóvel quando seja
tão mineral que não veja nem escute,
nem participe do que nasce e cresce.

Quando escolhi a selva
para aprender a ser,
folha por folha,
estendi as minhas lições
e aprendi a ser raiz, barro profundo,
terra calada, noite cristalina,
e pouco a pouco mais, toda a selva.”

(NERUDA, Pablo. O Caçador de raízes. Antologia Poética, José Olympio, 1994, p. 232.)


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Oriente - Caio Fernando Abreu



"Manda-me verbena ou benjoim no próximo crescente
e um retalho roxo de seda alucinante
e mãos de prata ainda (se puderes)
e se puderes mais, manda violetas
(margaridas talvez, caso quiseres)

manda-me osíris no próximo crescente
e um olho escancarado de loucura
(em pentagrama, asas transparentes)

manda-me tudo pelo vento:
envolto em nuvens, selado com estrelas
tingido de arco-íris, molhado de infinito
(lacrado de oriente, se encontrares)"

(in:
Caio 3D: O Essencial da Década de 1970)
 


2 comentários:

Divinius disse...

Gostei de ler:)
Comenta o meu blogue:)
A LUZ QUE TE DEIXO É DA COR DA MINHA VIDA...)

Maria Thereza disse...

Querida, como é bom conhecer esse Blog, eu não sabia!!!!
PArabénssss mil vezes para vc e muito obrigada por partilhá-lo comigo!
Beijos pra vc e muito obrigada!!!!
LINDOOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!!!!!!!