“É assim que ficam
os meus olhos, é assim que fica o meu mundo, quando a saudade se
aconchega no meu colo, quando a velhice brinca comigo... Os olhos
normais veem as ruas, os muros, os jardins, do jeito mesmo como eles
são, do jeito mesmo como apareceriam se deles se tirasse uma
fotografia. Já os olhos que a saudade encantou ficam dotados de
estranhos poderes mágicos: eles veem as ausências, o que não está
lá, mas que o coração deseja.”
(Beth Moon - Ancient Trees: Portraits Of Time, Abbeville Press, 2014)
“Eu pertenço à fecundidade
e crescerei enquanto crescem as vidas:
sou jovem com a juventude da água,
sou lento com a lentidão do tempo,
sou puro com a pureza do ar,
escuro com o vinho da noite
e só estarei imóvel quando seja
tão mineral que não veja nem escute,
nem participe do que nasce e cresce.
Quando escolhi a selva
para aprender a ser,
folha por folha,
estendi as minhas lições
e aprendi a ser raiz, barro profundo,
terra calada, noite cristalina,
e pouco a pouco mais, toda a selva.”
(NERUDA, Pablo. O Caçador de raízes. Antologia Poética, José Olympio, 1994, p. 232.)
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
quinta-feira, 11 de outubro de 2012
Hoje canções - Nana Caymmi
"Gosto de ouvir
O mar me dizer
Coisas que eu sonhei
Sem saber
Navegar o tempo é sempre assim
Começa pelo fim
Tantas paixões
No sol do verão
Hoje canções
No meu coração
A saudade traz você pra mim
E a espera não é ruim
Pois tem sol
E um mar
Da cor do céu
Do amor
Gosto de ver
O sol despertar
Outros verões
No seu coração
Navegar a vida é se entregar ao sonho
Longo, breve
Louco, leve
Mas seu"
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Canto a mim mesmo - Walt Whitman
| (Praia de Búzios - Natal - RN) |
“Ser
de uma forma
qualquer
– o
que é isso?
(Giramos
e giramos, todos nós,
e
sempre voltamos ao mesmo ponto.)
Se
nada houvesse mais evoluído,
a
ostra em sua calosa concha
deveria
bastar.
Não
tenho calosa a concha:
tenho
instantâneos condutores
por
mim todo,
esteja
eu parado ou em movimento,
e
eles apreendem todas as coisas
e
sem dano as conduzem
através
do meu ser.
Eu
simplesmente me animo e tateio,
sinto
com os dedos e fico feliz:
tocar
com a minha a pessoa de outrem
é
quase o máximo
a
que eu posso resistir.”
(Leaves
of Grass - fragmentos, Tradução de Geir Campos)
Canções da Experiência - William Blake
Eis
que ouvi o anunciado
Pelo
Verbo Sagrado,
Que
caminhou pelo pomar antigo,
No
orvalho da noite a chorar,
e
a convocar de volta a alma perdida;
Que
pode controlar
Até
o pólo estelar,
E
também renovar a luz caída!
Retorna,
oh, Terra, vem agora!
Deixa
a relva orvalhada em que tu dormes;
A
noite vai-se embora.
E
já desponta a aurora
Das
massas sonolentas e disformes.
Não,
não queiras mais te afastar.
Porque
alguém como tu se afastaria?
Todo
o chão estelar,
Toda
a costa do mar,
Hão
de ser teus até que rompa o dia."
sexta-feira, 13 de julho de 2012
Coração Ateu - Maria Bethânia
"O meu coração ateu quase acreditou
Na tua mão que não passou de um leve adeus
Breve pássaro pousado em minha mão
Bateu asas e voou
Meu coração por certo tempo passeou
Na madrugada procurando um jardim
Flor amarela, flor de uma longa espera
Logo meu coração ateu
Na madrugada procurando um jardim
Flor amarela, flor de uma longa espera
Logo meu coração ateu
Se falo em mim e não em ti
É que nesse momento já me despedi
Meu coração ateu não chora e não lembra
Parte e vai-se embora."
É que nesse momento já me despedi
Meu coração ateu não chora e não lembra
Parte e vai-se embora."
(Composição: Sueli Costa)
domingo, 1 de julho de 2012
segunda-feira, 30 de abril de 2012
Indivisíveis - Mario Quintana
“O meu primeiro amor
sentávamos numa pedra
Que havia num terreno baldio entre as nossas
casas.
Falávamos de coisas bobas,
Isto é, que a gente grande
achava bobas
Como qualquer troca de confidências entre crianças
de cinco anos.
Crianças...
Parecia que entre um e outro nem
havia ainda separação de sexos
A não ser o azul imenso dos olhos
dela,
olhos que eu não encontrava em ninguém mais,
Nem no
cachorro e no gato da casa,
Que apenas tinham a mesma fidelidade
sem compromisso
E a mesma animal – ou celestial – inocência,
Porque o azul dos olhos dela tornava mais azul o céu:
Não, não
importava as coisas bobas que disséssemos.
Éramos um desejo de
estar perto, tão perto
Que não havia ali apenas duas encantadas
criaturas
Mas um único amor sentado sobre uma tosca pedra,
Enquanto a gente grande passava, caçoava, ria-se, não sabia
Que
eles levariam procurando uma coisa assim por toda a vida...”
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